Dissertação
Arte e saúde mental : do confinamento psiquiátrico ao isolamento pandêmico
Resumo
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Resumo
Esta pesquisa se localiza no interstício entre a arte, o ensino e a saúde mental nos contextos de confinamento social. Com a reforma psiquiátrica da metade do século XX, a arte ganha destaque como atividade de cuidado à saúde, inserindo-se nas políticas públicas com práticas que estimulam a reinserção social, a reintegração da identidade e a humanização dos tratamentos. O modelo de confinamento, porém, permanece como alternativa de tratamento nas Comunidades Terapêuticas (CT), onde a arte tem inserção apenas modesta, ainda que reconhecida sua função de humanização. Contextualizando e problematizando essa conjuntura, e considerando a experiência da autora como psicóloga e artista visual, esta pesquisa visa oferecer direcionamentos metodológicos para a atuação com arte e seu ensino nos contextos de cuidado à saúde mental, especialmente em modelos pautados no confinamento. Para cumprir esse objetivo, foi realizada pesquisa bibliográfica com textos e imagens referentes a esse percurso de inserção da arte nos contextos de confinamento a fim de fundamentar a construção de uma prática de ensino de arte que contemplasse o cuidado à saúde mental. A segunda etapa consiste na prática em campo, consolidando os direcionamentos extraídos da pesquisa teórica e coletando os resultados obtidos dessa experimentação. De acordo com o planejamento inicial da pesquisa, o trabalho de campo seria realizado em uma instituição de tratamento, cuja lógica terapêutica se pautasse na experiência de confinamento. Porém, foi imperativa a readequação dessa proposta, contemplando agora os novos regimes de confinamento – o contexto educacional e o confinamento residencial. Mediado pelo Projeto Semente do setor de saúde do IFCE, foi criado o grupo “Universos da Arte em grupos terapêuticos”, iniciativa que propiciou uma experiência formativa e autoexpressiva a estudantes de artes e profissionais de saúde interessados na atuação terapêutica com recursos artísticos. Essa prática foi incorporada à pesquisa enquanto espaço de interação à distância, que resultou em produções artísticas e relatos sobre a condição de confinamento dos participantes. Essa experiência constitui o substrato empírico para a elaboração do material didático produto dessa pesquisa, que toma por referência os ateliês psiquiátricos dos psiquiatras Osório César e Nise da Silveira, a abordagem teórica e metodológica de ensino e leitura de imagens da artista e arte/educadora Fayga Ostrower e as atividades e discussões realizadas
