Resumo
Os manguezais têm sido alvo de muitos impactos diretos e indiretos, de origem natural e antrópica. No Estado do Ceará, os bosques de mangue são impactados por diferentes atividades como construções de barragens na bacia hidrográfica, resíduos sólidos, desmatamento e instalações de empreendimento de carcinicultura, além das condições geoclimáticas desfavoráveis. Neste contexto, o objetivo do presente trabalho foi monitorar a estrutura vegetal de mangues sob impactos de carcinicultura e desmatamento como subsidio para recuperação de áreas degradadas. Para tanto, os bosques de mangue nas áreas impactadas foram monitorados nos anos de 2008, 2011, 2014 e 2016, sendo avaliado a altura, DAP, área basal, densidade, frequência, dominância, valor de importância da espécie e relações com fatores ambientais. Também foram produzidas mudas de espécies pioneiras sob efeito de efluente (presença e ausência) e níveis de sombreamento (0%, 30%, 50% e 70%), para essas mudas foram avaliadas a altura, diâmetro do coleto, matéria seca, teor de água contida na plântula, crescimento primário e secundário, índice de qualidade de Dickson e relações com fatores ambientais. As análises estatísticas utilizadas foram Análise de Variância (ANOVA), Teste de Tukey, Teste-t e Correlação Linear. Os resultados mostram que a expansão dos empreendimentos de carcinicultura (área ocupada) teve correlação forte e positiva com a mortalidade do bosque de mangue. Em área impactada por carcinicultura o bosque está tornando-se monoespecífico, dominado por Rhizophora mangle. Nas áreas desmatadas a recolonização ocorre lentamente, pois as espécies secundárias não conseguem manter uma população equilibrada, havendo maior resistência e permanecia da espécie pioneira Laguncularia racemosa. Os propágulos das espécies pioneiras de tamanho e peso maior são melhores para a produção de mudas, pois desenvolveram plântulas mais vigorosas e de maior qualidade. O efluente diluído a 22,22% não interferiu na taxa de germinação e no estabelecimento de plântulas, porém, apresentou potencial toxicológico nas plântulas de mangue pelo acúmulo de ferro, restringindo o desenvolvimento. Fisiologicamente, as plântulas de Laguncularia racemosa tiveram maior resistência aos impactos do desmatamento. Quanto aos efeitos do efluente, Laguncularia racemosa foi mais susceptível, apresentando menor crescimento e desenvolvimento. Por fim, o melhor sombreamento para as espécies pioneiras foi a de 50%, promovendo melhor desenvolvimento.
