Dissertação
Avaliação da potencialidade do fungo Pleurotus ostreatus em degradar efluentes laboratoriais
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Programa de Pós-graduação em Tecnologia e Gestão Ambiental
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Resumo
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Resumo
A poluição das águas por efluentes laboratoriais é uma questão preocupante, uma vez que
causam implicações negativas ao meio ambiente e à saúde pública. Esses efluentes contêm uma
variedade de substâncias químicas, a exemplo de compostos orgânicos, metais pesados,
xenobióticos, entre outros, que podem ter como destino a rede coletora de esgoto ou o meio
ambiente, sem nenhum tipo de tratamento. Nesta pesquisa foi avaliado o potencial do fungo
Pleurotus ostreatus em degradar efluentes laboratoriais do Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). A pesquisa foi dividida em 4 Etapas: (I) Cultivo e
produção de esporos do Pleurotus ostreatus; (II) Caracterização dos efluentes; (III) Avaliação
da eficiência da biodegradabilidade dos efluentes, usando reatores em batelada agitada com
biomassa fúngica imobilizada em granalhas de vidro; (IV) Avaliação da eficiência da
biodegradabilidade dos efluentes por meio de reatores em batelada sequencial com biomassa
fúngica imobilizada em espuma de polietileno. Para a caracterização, os efluentes coletados de
cada laboratório foram misturados em um recipiente e, posteriormente, analisados. As análises
realizadas na caracterização dos efluentes incluíram pH, temperatura, DQO, amônia, nitrato,
nitrito, surfactantes, fósforo total e SSV. Os resultados apresentaram valores médios de DQO
de (3.050,2 ± 1.626,88 mg/L), surfactantes (1,69 ± 2,59 mg/L), nitrato (0,83 ± 0,67 mg/L),
nitrito (0,06 ± 0,10 mg/L), amônia (1,74 ± 3,83 mg/L), fósforo total (11,6 ± 0,07 mg/L), SSV
(96 ± 113,3 mg/L) e pH (5,88 ± 5,91) para o efluente do laboratório 1 (L1). Da mesma forma,
para o laboratório 2 (L2), foram registrados níveis de DQO com (4.771,81 ± 6.023,09 mg/L),
surfactantes (1,16 ± 0,86 mg/L), nitrato (0,91± 0,33 mg/L), nitrito (0,67± 1,29 mg/L), amônia
(0,02 ± 0,018 mg/L), fósforo total (5,8 ± 0,0 mg/L), SSV (53,5± 52,23 mg/L) e pH (4,34 ±
3,48). Na etapa III, os reatores em batelada agitada, em que foram utilizados reatores de controle
(RC); reatores com fungo (RF) e reatores com fungo e glicose (RFG), o RFG alcançou
remoções máximas de DQO (51%), nitrato (88%), amônia (76%), surfactantes (63%) e fósforo
(74%); seguido pelo RF com DQO de (70%) e surfactante de (57%) com efluente do L1, ao
longo do período de análise. Com efluente do L2, o reator (RF) apresentou resultados ainda
mais expressivos, com remoções máximas de DQO (86%), nitrato (89%), surfactantes (78%) e
fósforo (57%); seguido pelo RFG com DQO de (54%), amônia (34%) e fósforo (43%). Na etapa
IV, os melhores resultados obtidos foram, no L1, com reduções máximas de DQO (20,1%),
nitrato (37,25%), nitrito (66,7%), amônia (65,8%), surfactantes (83,6%) e fósforo (52,7%) ao
longo dos ciclos analisados. Para o L2, as melhores remoções foram de DQO 80,6% e de
surfactantes de 43,5%, valores máximos dos ciclos analisados. Contudo, para amônia, nitrato,
nitrito e fósforo, não houve remoções. A caracterização indicou que os efluentes laboratoriais
são altamente poluentes, apresentando níveis elevados de alguns contaminantes. Os reatores em
batelada agitada demonstraram que, para o efluente do L1, o reator com fungo (RF) teve melhor
desempenho na remoção de DQO, enquanto o reator com glicose (RFG) se destacou na remoção
de nitrato, amônia, surfactantes e fósforo. Para o efluente do L2, o RF mostrou maior eficiência
na remoção de DQO, nitrato, surfactantes e fósforo, sem necessidade de um cossubstrato
adicional. Já o RFG se destacou apenas na remoção de amônia, com menor eficiência para
remoção de DQO, nitrato, surfactantes e fósforo. Em relação aos reatores em batelada
sequencial, as melhores remoções de DQO e surfactantes foram observadas no efluente do L2,
enquanto o L1 apresentou melhores resultados na remoção de nitrato, nitrito, amônia e fósforo.
Embora os reatores tenham apresentado percentuais expressivos de remoção, os resultados
encontrados diferem dos obtidos nos reatores em batelada agitada. O Pleurotus ostreatus
mostrou-se um agente promissor para a biorremediação de efluentes laboratoriais, sendo capaz
de reduzir a carga de poluentes. Entretanto, a continuidade da pesquisa é essencial para
aprimorar as condições operacionais e garantir a conformidade com os padrões ambientais.
Palavras-chave
Como citar
Citação
CORREIA, Sheila de Araújo. Avaliação da potencialidade do fungo Pleurotus ostreatus em degradar efluentes laboratoriais. 2024. 99f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia e Gestão Ambiental) - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Fortaleza, 2024.
