Resumo
Os ecossistemas naturais costeiros apresentam importante papel ambiental, possuindo biodiversidade e resiliência, mas apesar disso são intensamente degradados devido a ocupação desordenada. Assim, com o enfoque para o Complexo Vegetacional Costeiro (CVC) do Ceará, unidade fitoecológica que consiste em um território de transição do litoral para o interior do Estado, encontrando-se em região de disputas territoriais associadas aos usos de áreas costeiras, é possível ver a problemática de perda de ambientes naturais/antropização, o que prejudica os ecossistemas. Mesmo tendo sido berço de ocupação histórica por povos originários, estes se estabeleceram em relação mais sustentável com a terra, diferentemente dos usos degradantes associados aos fatos históricos ocorridos da colonização até os dias atuais na costa cearense. Visando contribuir para a conservação do CVC, o objetivo desse trabalho foi avaliar a perda de ambientes naturais entre 1985 e 2023, associado ao grau de conhecimento sobre a biodiversidade regional e ao papel das Unidades de Conservação (UCs) na sua preservação, como forma de subsídio às políticas públicas de conservação e gestão ambiental. Para tanto, foram utilizadas imagens de satélite classificadas do Projeto Mapbiomas (sensoriamento remoto) para avaliar a perda de ambientes naturais desde a primeira imagem disponível (1985) até a última (2023), o tratamento de dados de coordenadas georreferenciadas de pontos de coleta botânica obtido pelo speciesLink e ainda a busca de shapefiles de UCs feita em bancos de dados Federal, Estadual e municipal de Fortaleza, gerando mapeamentos temáticos pelo software QGIS. Os resultados apontam a expressiva perda de ambientes naturais de 15% no decorrer dos 38 anos avaliados, e de 26,8% total perdido do CVC, com destaque de perda em regiões de adensamento populacional e crescimento econômico, como Fortaleza e Região Metropolitana, frente a áreas de lacuna de conhecimento da flora, inclusive no município de maior perda, Pindoretama; enquanto as UCs exercem papel importante no incremento da amostragem botânica, mas o somatório de área protegida é pequeno ainda, com 6,36% do CVC apesar da quantidade de 44 UCs, podendo melhorar a distribuição e qualidade de preservação, priorizando aquelas do grupo Proteção Integral. Os municípios com menor perda de ambientes naturais foram Senador Sá e Aracoiaba, enquanto os que apresentaram maior número de coleta botânica e de UCs foram coincidentemente os mesmos, Fortaleza e
