Resumo
JACINTO, L. V. Sistemas convectivos de mesoescala no Nordeste do Brasil. Dissertação de Mestrado, Tecnologia e Gestão Ambiental, Instituto Federal do Ceará, Campus Fortaleza, Ceará, 2021. As características meteorológicas de uma determinada região são de grande importância na manutenção das atividades humanas, fato que ressalta a importância do seu conhecimento. No Nordeste do Brasil (NEB), apesar da variabilidade interanual da precipitação ser bastante acentuada, é alta a frequência de eventos intensos de precipitação associados a Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCMs), assim o conhecimento das principais características dos SCMs no NEB é de grande relevância para o melhor entendimento do tempo e clima da região. Nesse contexto, o objetivo dessa pesquisa foi analisar as principais características dos SCMs, com diferentes ciclos de vida, os quais se formam/atuam no NEB. Utilizando o algoritmo ForTraCC, características como o período de maior frequência, a velocidade, o tamanho, a distância percorrida, a direção de propagação e as áreas preferencias de ocorrência foram analisadas, bem como uma climatologia foi criada. Os resultados mostram que anualmente ocorrem, em média, 321 (±137) SCMs no NEB e não há diferença significativa na ocorrência de sistemas de curta e longa duração, sendo o mês de março o que apresenta a maior frequência de SCMs e agosto a menor. A fase positiva do evento El Niño/Oscilação Sul (ENOS) impacta principalmente na ocorrência de SCMs de longa duração, os quais possuem melhor relação com a qualidade da estação chuvosa do NEB. O quadrimestre fevereiro, março, abril e maio (FMAM) é o período em que ocorre mais SCMs. No NEB, os SCMs se formam com uma frequência maior durante o dia, com frequência máxima as 14UTC, além de possuir um tempo médio de duração de 7 horas (±5 horas). À noite (21 às 08UTC), os SCMs de longa duração são mais frequentes. Os SCMs de curta duração atingem o estágio de maturação após duas horas de sua gênese, enquanto os de longa duração após quatro horas. No estágio de maturação, os SCMs com ciclo de vida longo são 5 vezes maiores do que os sistemas com ciclo de vida curto. Foi observado que março foi o mês em que os SCMs de curta duração são maiores e em outubro os de longa duração são maiores. A densidade de gênese dos SCMs no NEB é maior sobre o continente do que sobre o oceano Atlântico Tropical e ocorre de forma desigual no território, além dos sistemas de longa duração se formarem em uma área mais ampla do
